De vagar devagar, virou fantasma.
Assim, sem menos nem mais ou menos nem mais. História pouca, vida parca. Passou despercebido, sequer foi ouvido como pernilongo-vampiro à noite à espreita à meia-luz à meia-noite. Hora dramática, vertiginosa, clímax sem gozo dele porque o rolo de filme acabou na sala de projeção e ainda muito faltava para saber quem era o assassino. Mas era o mordomo, dono do mundo. Háh! Parecia piada.
Fantasmizado, decidiu ir contra todas as paredes. Era sua chance de encontrar quem sabe não se sabe o quê. E de não saber o que se pode encontrar (principalmente quando se é fantasma), chega ao fim. Sim, a história. Começa ali, acaba aqui. Um barbante estendido sobre uma fogueira, que vai cedendo aos poucos, partindo suas fibras numa dança hipnótica e constante. Até que.
Foi bom pra você? Perguntou Deus a ele na mesa do bar àquela hora da manhã do dia seguinte ao fim da filmagem do que não é captado - ele. Making of pra sempre. Vida moderna, é o Grande Irmão em seu abraço receptivo: junte-se a nós e terás mais nós, essa é a mensagem que ninguém entendeu ainda. Só ele. Não Ele, só ele mesmo.
A vida é um doce que ninguém compra. Veio a primeira mosca, voou voou voou ao redor, p-o-u-s-o-u na pausa habitual e esfregou as patinhas miudicíssimas pensando agora é o momento de desfrutar. Coitada. Provou, não gostou, levantou voo novamente e desbaratada (numa clara traição involuntária à sua natureza) foi morrer em menos de 24 horas. Há uma obediência, percebe?
Quando a menina acordou no dia seguinte, ninguém a observava. Imaginou que com isso já estivesse melhor, que a febre teria passado e que a mãe o pai quem quer que seja estavam dormindo ou recompondo os ânimos gastos na noite difícil-anterior. Saiu da cama com os pés nus, os olhos semicerrados e nas pisadinhas leve sobre o chão frio ela foi andando assim: _ _ _ _ _ _ _ e chegou na sala. A cena que ali se apresentava era um verdadeiro teatro dos horrores. Que cena era? Só a menina viu a mosca morta virando fantasma do outro lado da rua através da janela aberta em manhã de Sábado (!) porque alguma coisa aconteceria sem aviso e, sem aviso, o mordomo veio da cozinha. Era o tal do fim do filme do. À Ele.
Brayan Carvalho
sexta-feira, 10 de julho de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
,eu,
Apêndices do sono: eu na frente do espelho, a manhã na frente da janela, branca e cega e leve e muda! Eu calado, ainda, por enquanto, apenas, passando uns poucos minutos sobrevivendo a um silêncio que nas ruas lá debaixo do prédio se perde em burburinho disléxico e absurdo, repleto de casos de ontem, de saudades de passados repetidos à conta gotas, nas veias do mundo, um anestésico firme para olhos trêmulos por cima dos ombros ossudos dos velhos largados em calçadas, empregos duvidodos de existências desistidas.
Olho para a barba espaçada no espelho, a certeza vem das mãos passantes leves como febres de dias recém vindos, está na hora de escanhoar o queixo para ser descente para as pessoas das ruas para as mulheres principalmente, para calar o silêncio no cochicho profundo e acanhado de crescido nas bocas dos bueiros de gente nas ruas, invasivas diárias de si, como ratos roendo por dentro os ratos.
Tremo com a lâmina perto dos lábios: ou mato a máscara largada de dias, ou morro da revolta da algoz beijando meu pescoço, fria e assassina, são opções e exageros. Coragem, deixo ser machado a mão lívida da idéia para vestir o capuz da praticidade. Luzes acesas, muito cirúrgicas e brancas nos ladrilhos do banheiro, sem mais exageros, a face escanhoa um pouco mais bruta que antes e penso em parar com medo de ver diferente o rosto há tempos largado à contagem do tempo natural de um rosto qualquer, sem muita seriedade ainda, sem nenhuma seriedade ainda. Ainda, nada demais, nunca demais.
Muito pouco tempo para ter mudado o abrigo dos olhos tristes, que me disseram que eu tinha pregado na cara de criança com ares de séria! Nada ainda, não mais que isso, mais talvez nunca, já mais que jamais tive: postura de olhar voltado para dentro em afogamento sem desespero!
Resolvi esperar, resignado e enganado, acontecer alguma coisa que mudasse: Muda de si mesmo nascendo nas barbas, nos cabelos, tornando o corpo inteiro uma coisa menos morredoura que a expressão de garoto cancelado pelos livros, mortos dissecados em minhas prateleiras!
Resvala do meu rosto um pouco de sangue, meu e da lâmina, agora mais corada e menos digna das musas doentias que imitava, e ela, num arroubo de mulher sem vícios de virtudes, beija-me envergonhada e corre-me no lábio o gosto do sangue do lábio que a boca não sentiria.
Estranho não saber do que /s/t/e pertence!
Eduardo Martins
Olho para a barba espaçada no espelho, a certeza vem das mãos passantes leves como febres de dias recém vindos, está na hora de escanhoar o queixo para ser descente para as pessoas das ruas para as mulheres principalmente, para calar o silêncio no cochicho profundo e acanhado de crescido nas bocas dos bueiros de gente nas ruas, invasivas diárias de si, como ratos roendo por dentro os ratos.
Tremo com a lâmina perto dos lábios: ou mato a máscara largada de dias, ou morro da revolta da algoz beijando meu pescoço, fria e assassina, são opções e exageros. Coragem, deixo ser machado a mão lívida da idéia para vestir o capuz da praticidade. Luzes acesas, muito cirúrgicas e brancas nos ladrilhos do banheiro, sem mais exageros, a face escanhoa um pouco mais bruta que antes e penso em parar com medo de ver diferente o rosto há tempos largado à contagem do tempo natural de um rosto qualquer, sem muita seriedade ainda, sem nenhuma seriedade ainda. Ainda, nada demais, nunca demais.
Muito pouco tempo para ter mudado o abrigo dos olhos tristes, que me disseram que eu tinha pregado na cara de criança com ares de séria! Nada ainda, não mais que isso, mais talvez nunca, já mais que jamais tive: postura de olhar voltado para dentro em afogamento sem desespero!
Resolvi esperar, resignado e enganado, acontecer alguma coisa que mudasse: Muda de si mesmo nascendo nas barbas, nos cabelos, tornando o corpo inteiro uma coisa menos morredoura que a expressão de garoto cancelado pelos livros, mortos dissecados em minhas prateleiras!
Resvala do meu rosto um pouco de sangue, meu e da lâmina, agora mais corada e menos digna das musas doentias que imitava, e ela, num arroubo de mulher sem vícios de virtudes, beija-me envergonhada e corre-me no lábio o gosto do sangue do lábio que a boca não sentiria.
Estranho não saber do que /s/t/e pertence!
Eduardo Martins
Doze anos
Desde os doze anos, não gosto muito de mim! Foi meu ano iscariotes que, já sem calos por pairar com os pés ao ar, caminhou por martírio de mãos dadas com outros santos até meu dezessete e foi coroado imperador de si, muito temente a (D/d)e(u)(us)(le).
D,eu,s de meus doze anos, austero e firme e pai e hóstia, segurava a corda de meus 365 passos iscariotes, poeirentos, que fez deles areia no fim dos meus doze anos!
Minha idade paralítica era traidora de si em conquistas como é até hoje, e eu contava em terços a verdade barbuda e firme de ser um traidor sincero, não muito sensato, segurando os pés de D,eu,s para que não virassem areia.
Na areia há pegadas em mim até três terços completos e divinos sobre meus ombros, com o peso da glória.
Não se afirma retidão transbordada nas areias traidoras que beijam os destinos das águas que sobem aos céus quando estas se empoçam paradas, sem virar sangue de Nilo, sem tornar casa de sapo, bolha de pele, anjo divino caindo dos ares em busca de sangue do rio do Egito esquecido de manchar as portas dos homens discordantes e traidores, parados em sal puro, sal da terra da gente que pisa minhas costas do Egito, dos mares vermelhos do sangue do Egito.
Pela manhã (D)eu(s) era (D)eu(s) ainda e não sei se sou agora mais que areia olhando oratórios salgados, dos homens parados, nas cadeiras dos berros das palavras do centro da cidade que, na minha idade, ainda é o centro do mundo.
Ainda ampulheta pura, com certeza de cair areia atravessada em areia polida e brilhante, transparente eu messias de mim comigo fagocitado, impuro, ilógico, demonológico derramando seco de um lado para outro do meu sacro corpo.
Um dia caio fixo em queda livre do m(eu) D(eus) titânico em cima de mim pisado por mim, correndo do vidro de mim vencido, m(eu), vidro quebrado, seráfico, quebrado, dos olhos de D(eu)s...
(E)d(u)ardo Martins
D,eu,s de meus doze anos, austero e firme e pai e hóstia, segurava a corda de meus 365 passos iscariotes, poeirentos, que fez deles areia no fim dos meus doze anos!
Minha idade paralítica era traidora de si em conquistas como é até hoje, e eu contava em terços a verdade barbuda e firme de ser um traidor sincero, não muito sensato, segurando os pés de D,eu,s para que não virassem areia.
Na areia há pegadas em mim até três terços completos e divinos sobre meus ombros, com o peso da glória.
Não se afirma retidão transbordada nas areias traidoras que beijam os destinos das águas que sobem aos céus quando estas se empoçam paradas, sem virar sangue de Nilo, sem tornar casa de sapo, bolha de pele, anjo divino caindo dos ares em busca de sangue do rio do Egito esquecido de manchar as portas dos homens discordantes e traidores, parados em sal puro, sal da terra da gente que pisa minhas costas do Egito, dos mares vermelhos do sangue do Egito.
Pela manhã (D)eu(s) era (D)eu(s) ainda e não sei se sou agora mais que areia olhando oratórios salgados, dos homens parados, nas cadeiras dos berros das palavras do centro da cidade que, na minha idade, ainda é o centro do mundo.
Ainda ampulheta pura, com certeza de cair areia atravessada em areia polida e brilhante, transparente eu messias de mim comigo fagocitado, impuro, ilógico, demonológico derramando seco de um lado para outro do meu sacro corpo.
Um dia caio fixo em queda livre do m(eu) D(eus) titânico em cima de mim pisado por mim, correndo do vidro de mim vencido, m(eu), vidro quebrado, seráfico, quebrado, dos olhos de D(eu)s...
(E)d(u)ardo Martins
Uma mulher
Uma mulher foi encontrada morta, mas já era morta antes, no induto das saias de parideira cancelada. Uma mulher apenas morreu e nisso reside o fato (fato é sempre pretérito, é fato, mesmo quando estende mãos firmes e amarelas para afanar os relógios de parede e declarar, bom saudoso passadista, que o tempo é dele nas bocas dos outros que contam pretéritos amarelados desconjurando o presente por fatos, todos adoram fatos!)
É verdade que era uma mulher apenas, ou menos, quando trepada a boca nua desgostosa nos bigodes nada sutis de um marido muito forte e distinto, e correto para ela e para outras mulheres afogadas nas poças das ruas recentes das dezoito horas, quase nuas em dívidas pagas pelos bigodes sorridentes e fixos.
Uma mulher foi encontrada morta, porque estava em casa, engarrafada, não como as 18 horas, alcóolicas e perfumadas, cheias de liberdades engradadas, evaporatórias para dentro das janelas das casas, sumidas para sempre.
Algumas pessoas choraram, depois flores e rezas, e orações e mais choros. Ele a amava tanto que resolveu, com certezas definitivas, que era melhor sofrer agora, enquanto era um homem forte e pagava suas dívidas com as esquinas das ruas no fim do emprego expediente de sempre, o dia da vida dele repetida sempre, sempre fato descontado dia a dia de seu bolso vazio de fim de mês onde, neste mês, estava uma faca! Todos adoram fatos, e este era um fato cortante, coeso demais, presente de casamento de uma velha senhora há muito tempo encontrada morta.
Eduardo Martins
É verdade que era uma mulher apenas, ou menos, quando trepada a boca nua desgostosa nos bigodes nada sutis de um marido muito forte e distinto, e correto para ela e para outras mulheres afogadas nas poças das ruas recentes das dezoito horas, quase nuas em dívidas pagas pelos bigodes sorridentes e fixos.
Uma mulher foi encontrada morta, porque estava em casa, engarrafada, não como as 18 horas, alcóolicas e perfumadas, cheias de liberdades engradadas, evaporatórias para dentro das janelas das casas, sumidas para sempre.
Algumas pessoas choraram, depois flores e rezas, e orações e mais choros. Ele a amava tanto que resolveu, com certezas definitivas, que era melhor sofrer agora, enquanto era um homem forte e pagava suas dívidas com as esquinas das ruas no fim do emprego expediente de sempre, o dia da vida dele repetida sempre, sempre fato descontado dia a dia de seu bolso vazio de fim de mês onde, neste mês, estava uma faca! Todos adoram fatos, e este era um fato cortante, coeso demais, presente de casamento de uma velha senhora há muito tempo encontrada morta.
Eduardo Martins
Das Residências
Sair de casa e atravessar a rua e atravessando a rua entrar no carro. Objetivos diários. Ponteiro tic-tac-tic do relógio na parede do quarto vazio, ninguém dorme lá mas há um relógio. Cronometrando a inércia. A casa nunca acorda de verdade, a casa é o silêncio que se faz depois que um assunto acaba - e a vida é um assunto do qual não se argumenta. A vida é sair de casa e atravessar a rua e atravessando a rua entrar no carro. Aliás, este carro vive mais do que a casa. O nome já induz: este carro há de carregar pelo mundo afora. A casa morre na impotência de um animal invertebrado.
A pia da cozinha vive seca. O mármore desidratado vira cimento, chapisco de muro, arte bruta. Estala a geladeira e a estante na sala oscila. Tudo reverbera e a tinta das paredes escurece quinzenalmente, o ar não corre pelo corredor que liga os cômodos - tragicomicamente incômodos. A casa não pode atravessar a rua e atravessando a rua entrar num carro. A casa não vive, não sabe do mundo. Nunca verá o mar, nunca subirá uma ladeira, nunca sairá em fins de semana para trocar ideias num bar com os amigos. Amigos que existem, mas que ela não conhece. A casa está proibida de sair do quintal.
A casa nunca ouviu falar de casamento. Sorte a dela, pois implodiria muda de felicidade mórbida se soubesse. Casa que é casa não se casa. Perecer: parece que esse é o futuro dela. Nunca aparecer num telejornal, mesmo que seja passando no fundo da cena. Atravessar a rua e atravessando a rua entrar na casa: jamais! Ficará na espera eterna, de janelas fechadas e tic-tac-tic do relógio na parede do quarto vazio. Cronometrando a inércia.
Objetivos? Diários? Casas não podem.
Brayan Carvalho
A pia da cozinha vive seca. O mármore desidratado vira cimento, chapisco de muro, arte bruta. Estala a geladeira e a estante na sala oscila. Tudo reverbera e a tinta das paredes escurece quinzenalmente, o ar não corre pelo corredor que liga os cômodos - tragicomicamente incômodos. A casa não pode atravessar a rua e atravessando a rua entrar num carro. A casa não vive, não sabe do mundo. Nunca verá o mar, nunca subirá uma ladeira, nunca sairá em fins de semana para trocar ideias num bar com os amigos. Amigos que existem, mas que ela não conhece. A casa está proibida de sair do quintal.
A casa nunca ouviu falar de casamento. Sorte a dela, pois implodiria muda de felicidade mórbida se soubesse. Casa que é casa não se casa. Perecer: parece que esse é o futuro dela. Nunca aparecer num telejornal, mesmo que seja passando no fundo da cena. Atravessar a rua e atravessando a rua entrar na casa: jamais! Ficará na espera eterna, de janelas fechadas e tic-tac-tic do relógio na parede do quarto vazio. Cronometrando a inércia.
Objetivos? Diários? Casas não podem.
Brayan Carvalho
Mas
nós não somos o que nascemos e a evolução depende dependurada na parede do fundo quebrada com janela pra fora da alma armada-e-apontada para o centro do espelho pois nossos pais e avós só apontam o mesmo ângulo do equilátero tornando tudo igualmente o mesmo plano de fundo artificial em tela de efeito imediato com doses homeopáticas de homo-sapiens-celibatus
é rudimentar meu caro Holmes a pedra-pomes e o pomo de Adão ah não de novo o ovo e a galinha ó frustração nas quatro rodas deste carro alegórico grande demais para a avenida e pequeno demais para a vida
o anel do retorno eterno volta revolta voltando Voltaire observando dizendo que escreve-nos uma longa carta por não ter tempo de a escrever breve
cabe neste bolso uma gota de sangue do pescoço da moça e antes que alguém se zangue vale a pena explicar por a+b a natureza dos seres da luz e daqueles que os olhos desviam da cruz por já sofrerem demais com a eternidade que não acaba assim como as cidades um dia serão soterradas e novos pés de novas sociedades assentarão suas águas paradas
tira-se como conclusão uma rima nada prima:
ser ou não ser ou ser o não?
eis a questão
overdose: this dose is over.
Brayan Carvalho
é rudimentar meu caro Holmes a pedra-pomes e o pomo de Adão ah não de novo o ovo e a galinha ó frustração nas quatro rodas deste carro alegórico grande demais para a avenida e pequeno demais para a vida
o anel do retorno eterno volta revolta voltando Voltaire observando dizendo que escreve-nos uma longa carta por não ter tempo de a escrever breve
cabe neste bolso uma gota de sangue do pescoço da moça e antes que alguém se zangue vale a pena explicar por a+b a natureza dos seres da luz e daqueles que os olhos desviam da cruz por já sofrerem demais com a eternidade que não acaba assim como as cidades um dia serão soterradas e novos pés de novas sociedades assentarão suas águas paradas
tira-se como conclusão uma rima nada prima:
ser ou não ser ou ser o não?
eis a questão
overdose: this dose is over.
Brayan Carvalho
Alto!, falantes!
Olha, eu vou falar do fim do mundo mas não se espantem vocês porque inevitavelmente eu chegaria a este ponto. Vou falar do fim do mundo e vocês precisam me ouvir porque não se sabe quando é que teremos outro acontecimento deste, então desliguem-se-liguem-se agora e vamos todos dar as mãos e ouvir pacientes e concentrados A Voz Que Tudo Diz sair do mais profundo fundo do poço mais antigo de toda a história da humanidade.
(história apocalíptica é assim mesmo)
(tudo remete a uma megalomaníaca tensão)
Todos nós aqui agora juntos? Sim. Todos concentrados? ... Ótimo! Podemos começar? Uhm-hm! Chamo a atenção de todos vocês agora, e da mesma forma espero que vocês saibam chamar a atenção de outros alguéns próximos, de modo que possamos fazer aquela enorme corrente de corações em acordo voltados para um único ponto - tudo ao mesmo tempo, bem ao estilo Hollywood de viver a vida. Algum de vocês sabe tocar violino? Seria interessante uma música incidental agora.
Prestenção: como eu disse anteriormente, falarei do fim do mundo. Fim este que está próximo, oh sim, ele chegará tão logo as senhoras e os senhores pisquem os olhos. Não que piscar os olhos agora esteja proibido, piscar os olhos não representa um risco real de trazer o fim do mundo, vocês podem piscar os olhos à vontade, entendem? Foi apenas um modo de dizer... é metáfora o nome disso? Enfim, o fato é que fui escolhido para falar a todos sobre este evento de que se têm comentado há muito tempo e que, para a felicidade de muitos, está chegando. Eu sei, eu sei, demorou bastante mesmo. Dava para o mundo acabar de tanto que as especulações duraram.
Dizem que o mundo já veio ao mundo se acabando. A ciência diz o seguinte: é o seguinte: não sabemos. E, senhoras e senhores, se a ci-ên-cia não sabe explicar, então... olha, não sei explicar também não. Voltemos ao assunto anterior: fim do mundo vindo aí e junto com ele a primavera, estação das flores e da fertilidade, todo mundo se amando em meio aos aromas naturais, Woodstock e aquela coisa toda, bla bla bla. A recomendação que recebi - e que agora repasso aos aqui presentes - é: não fazer nada. Nada, nada mesmo. Sabem por quê? Porque é perigoso fazer alguma coisa. Afinal de contas estamos falando de um assunto sério, e assuntos sérios de verdade exigem dos envolvidos um alto nível de descompromisso - Darwin explica.
Estamos no fim - do discurso, não do mundo ainda. E como encerramento, gostaria de deixar nas mãos de todos vocês essa responsabilidade, que de tão mencionada e transferida a diferentes portadores já tornou-se facilmente suportável e consideravelmente menos responsável. Ou seja: é a importância de um cargo acima da prática que o envolve. Uma rara oportunidade, não é? Sei o quão importante isto pode se tornar perante ouvidos e olhos que nos coadjuvam nesta história (se é que me entendem), mas não se incomodem demais porque agir não é obrigatório e ouvir-e-ver é inevitável. Cabe a nós não permitir a morte deste ideal, desta relação tão bonita que estamos construindo com a civilização.
Um muito obrigado! Agora voltemos todos a nossas vidas comuns cheias de camadas multicoloridas e saibamos incorporar à elas os ensinamentos desta noite, d'A Voz Que Tudo Diz. Porque Deus ainda está no banheiro.
Brayan Carvalho
(história apocalíptica é assim mesmo)
(tudo remete a uma megalomaníaca tensão)
Todos nós aqui agora juntos? Sim. Todos concentrados? ... Ótimo! Podemos começar? Uhm-hm! Chamo a atenção de todos vocês agora, e da mesma forma espero que vocês saibam chamar a atenção de outros alguéns próximos, de modo que possamos fazer aquela enorme corrente de corações em acordo voltados para um único ponto - tudo ao mesmo tempo, bem ao estilo Hollywood de viver a vida. Algum de vocês sabe tocar violino? Seria interessante uma música incidental agora.
Prestenção: como eu disse anteriormente, falarei do fim do mundo. Fim este que está próximo, oh sim, ele chegará tão logo as senhoras e os senhores pisquem os olhos. Não que piscar os olhos agora esteja proibido, piscar os olhos não representa um risco real de trazer o fim do mundo, vocês podem piscar os olhos à vontade, entendem? Foi apenas um modo de dizer... é metáfora o nome disso? Enfim, o fato é que fui escolhido para falar a todos sobre este evento de que se têm comentado há muito tempo e que, para a felicidade de muitos, está chegando. Eu sei, eu sei, demorou bastante mesmo. Dava para o mundo acabar de tanto que as especulações duraram.
Dizem que o mundo já veio ao mundo se acabando. A ciência diz o seguinte: é o seguinte: não sabemos. E, senhoras e senhores, se a ci-ên-cia não sabe explicar, então... olha, não sei explicar também não. Voltemos ao assunto anterior: fim do mundo vindo aí e junto com ele a primavera, estação das flores e da fertilidade, todo mundo se amando em meio aos aromas naturais, Woodstock e aquela coisa toda, bla bla bla. A recomendação que recebi - e que agora repasso aos aqui presentes - é: não fazer nada. Nada, nada mesmo. Sabem por quê? Porque é perigoso fazer alguma coisa. Afinal de contas estamos falando de um assunto sério, e assuntos sérios de verdade exigem dos envolvidos um alto nível de descompromisso - Darwin explica.
Estamos no fim - do discurso, não do mundo ainda. E como encerramento, gostaria de deixar nas mãos de todos vocês essa responsabilidade, que de tão mencionada e transferida a diferentes portadores já tornou-se facilmente suportável e consideravelmente menos responsável. Ou seja: é a importância de um cargo acima da prática que o envolve. Uma rara oportunidade, não é? Sei o quão importante isto pode se tornar perante ouvidos e olhos que nos coadjuvam nesta história (se é que me entendem), mas não se incomodem demais porque agir não é obrigatório e ouvir-e-ver é inevitável. Cabe a nós não permitir a morte deste ideal, desta relação tão bonita que estamos construindo com a civilização.
Um muito obrigado! Agora voltemos todos a nossas vidas comuns cheias de camadas multicoloridas e saibamos incorporar à elas os ensinamentos desta noite, d'A Voz Que Tudo Diz. Porque Deus ainda está no banheiro.
Brayan Carvalho
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