Eu: Nada.
Você: O que é?
Eu: Não sei.
Você: Sabe que eu também?
Eu: Tô cansado de repetir infinitesimalmente a mesma operação.
Você: Será que tá me ouvindo?
Eu: Não sei até onde vamos agora chegamos.
Você: Tentando me salvar?
Eu: Vou dizer que você não sabe que eu disse isso.
Você: Pergunta como terminar.
Eu: Secando as mãos depois de lavá-las antes de comer.
Você: Alheia a tudo, perdida sem sair do lugar.
Eu: Poema?
Você: Se tem verso, então...
Eu: Qual a frente?
Você: A gente?
Eu: Não.
Você: Muda de assunto.
Eu: Vou tentar com.
Você: Ajuda?
Eu: Queria.
Você: A minha?
Eu: Sempre.
Você: Mas e agora?
Eu: Deixa.
Você: Vai embora.
Eu: Fica.
Você: Não sabe.
Eu: Sei.
Você: Faz silêncio.
Eu:
Você:
Eu: Tá bom?
Você:
Eu: Você?
Você:
Eu:
Você: Sabe?
Eu: Não.
Você:
Eu: Sabe?
Você: Sim.
Eu: Chega, né?
Você: Começa daqui.
Brayan Carvalho
segunda-feira, 13 de julho de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
Caixa (Ser)nica
Será que ainda me vejo naquela penumbra vazia dos cantos dos holofotes vermelhos do sangue dos homens mortos nos corpos dos atores andando descalços de provas de serem eles apenas gente que guarda o sangue de gente viva sempre no sangue repetido da gente dos palcos?
Não sei, ando muito calcificado em ossos meus apenas, sem juras, sem ser duvidoso em não ser impossível. É mais íngreme pisar o solo de si, pular o vão (tão nós) das costelas sem o sabor sórdido dos ossos dos outros, arquitetônicos e iguais, de cantos segredados, segregados dos olhos de fora.
Sei-me demais para me negar e para fugir de mim, já que sempre me encontro no mesmo lugar euparadoemim.
Ainda ando em passos vazios nos passos dos meus espaços com outros passos que não são meus com um laço vil de mim comigo, apertado, rompendo e possível de ser apenas um traste no chão dos palcos vazios onde vejo morrer homens de sangue sempre fora das veias do sangue dos outros homens que saem dos palcos para serem o mesmo impensado mesmo de sempre.
Choro na platéia minha impossibilidade de matar-me um pouco!
Eduardo Martins
Não sei, ando muito calcificado em ossos meus apenas, sem juras, sem ser duvidoso em não ser impossível. É mais íngreme pisar o solo de si, pular o vão (tão nós) das costelas sem o sabor sórdido dos ossos dos outros, arquitetônicos e iguais, de cantos segredados, segregados dos olhos de fora.
Sei-me demais para me negar e para fugir de mim, já que sempre me encontro no mesmo lugar euparadoemim.
Ainda ando em passos vazios nos passos dos meus espaços com outros passos que não são meus com um laço vil de mim comigo, apertado, rompendo e possível de ser apenas um traste no chão dos palcos vazios onde vejo morrer homens de sangue sempre fora das veias do sangue dos outros homens que saem dos palcos para serem o mesmo impensado mesmo de sempre.
Choro na platéia minha impossibilidade de matar-me um pouco!
Eduardo Martins
sábado, 11 de julho de 2009
Meia (noite) 7/8
Meia-noite, ainda meia, porque se é noite inteira está completa a manhã, amanhã verdeiro que, com noite na beira, segue afora vão e derradeiro da noite, que no copo era meia dose de dia e cheia seria hora de noite inteira, derradeira, suspirante, mas sã!
Meia-noite calçada nas pernas de minhas mulheres com 7/8 de sonhos completos, mas meus: vermelhos e obscenos , largados em queda de escada na escalada para sacadas dos sonhos de minhas mulheres não minhas, minhasmulheresninguénsdetodos!
Fico indeciso de ser eu quando vejo as lágrimas caindo, serenando o mundo de escuro profundo, dos olhos das mulheres nas ruas, das mulheres nuas de folhetins vazios, de desejos gentios, de gentis quereres delas de serem elas para outros como eu: outros euminguémdetodos, outros sucessos medalhistas pendurados nos pescoços nus das mulheres pregadas em paredes de rígido ser vestido de ter um não coroado!
Quando acordo das sacadas, sacadas as armas da cintura delas, todas elas caídas no chão do meu quarto, sou apenas eu sem saber quem sou! Olho nos espelho assustado por ver-me gente e saber ser eu gente que dormiu comigo e deixou cheiro nos meus lençóis, pele na minha pele. Sou pessoa encubada no meu hálito de estrada perdida no escuro do céu da boca, na garganta iludida e sem palavras de gente, muda de gente de verdade!
Eduardo Martins
Meia-noite calçada nas pernas de minhas mulheres com 7/8 de sonhos completos, mas meus: vermelhos e obscenos , largados em queda de escada na escalada para sacadas dos sonhos de minhas mulheres não minhas, minhasmulheresninguénsdetodos!
Fico indeciso de ser eu quando vejo as lágrimas caindo, serenando o mundo de escuro profundo, dos olhos das mulheres nas ruas, das mulheres nuas de folhetins vazios, de desejos gentios, de gentis quereres delas de serem elas para outros como eu: outros euminguémdetodos, outros sucessos medalhistas pendurados nos pescoços nus das mulheres pregadas em paredes de rígido ser vestido de ter um não coroado!
Quando acordo das sacadas, sacadas as armas da cintura delas, todas elas caídas no chão do meu quarto, sou apenas eu sem saber quem sou! Olho nos espelho assustado por ver-me gente e saber ser eu gente que dormiu comigo e deixou cheiro nos meus lençóis, pele na minha pele. Sou pessoa encubada no meu hálito de estrada perdida no escuro do céu da boca, na garganta iludida e sem palavras de gente, muda de gente de verdade!
Eduardo Martins
Crônica do homem de repente
Num clique ele pediu "fique" e ela esticou os braços para além onde ninguém estava. Lava quente de vulcão era sua mão rente ao rosto dela, nunca aprendendo a ser o que se espera. Era fome de alma, longe do corpo, hirto na falsa calma de alguém que está além dos outros. Poucos segundos bastavam para ela, chuva de Cinderelas brancas como neve leves como pluma uma a uma caindo alegremente pois as fadas estão ausentes.
Afogando mágoas de águas passadas em montanhas que conheceram Maomé, ele ficou de pé e ali pensou em agir final-felizmente mostrando dentes amarelos pro mundo inteiro, que num segundo e meio o reconhecia como aquele que não sabia sorrir tampouco fazer. Verdade é que ele não conhecia nada além de tudo, e mudo só lhe restava indefinir-se como disse ela à sua frente parada entediada com o impasse não-passante.
Stop: estopim aceso.
Decisão de todos esses: hão.
Queria ele chorar mas não sabia o que fazer depois de a lágrima rolar e cristalina resplandecer descendo rosto afora indo embora da sua vida caindo finita tocando o chão oh não tragédia demais pra este pobre rapaz que só quer ficar com ela, sem prazo sem parcela, só quer estar com ela e fazer do repente uma constante. Chove sem aviso no meio da rua a amada nua fria num deslize cai sozinha sem ter quem a segure agora ele foi embora indeciso pensativo cabisbaixo reticente: o homem de repente.
Brayan Carvalho
Afogando mágoas de águas passadas em montanhas que conheceram Maomé, ele ficou de pé e ali pensou em agir final-felizmente mostrando dentes amarelos pro mundo inteiro, que num segundo e meio o reconhecia como aquele que não sabia sorrir tampouco fazer. Verdade é que ele não conhecia nada além de tudo, e mudo só lhe restava indefinir-se como disse ela à sua frente parada entediada com o impasse não-passante.
Stop: estopim aceso.
Decisão de todos esses: hão.
Queria ele chorar mas não sabia o que fazer depois de a lágrima rolar e cristalina resplandecer descendo rosto afora indo embora da sua vida caindo finita tocando o chão oh não tragédia demais pra este pobre rapaz que só quer ficar com ela, sem prazo sem parcela, só quer estar com ela e fazer do repente uma constante. Chove sem aviso no meio da rua a amada nua fria num deslize cai sozinha sem ter quem a segure agora ele foi embora indeciso pensativo cabisbaixo reticente: o homem de repente.
Brayan Carvalho
Cabeceira
O Lord, as pessoas morrerão de identificação imediata com a história do homem da bala de prata que, baleado, foi perseguido e depois executado sem saber o porquê. O Lord, as pessoas vão querer uma parte de seu corpo pra colocar de souvenir, vão querer exibir, mergulhar num copo e com formol conservar o mártir que, morto, só faz parte da ideia. O Lord, essa história já é tão velha que de rugas e problemas é maior que as dores e penas sentidas em nome desse homem que, vivo, não passou de um exemplo: gene recessivo. O Lord, as pessoas estão cansadas de ouvir a mesma ladainha, todas elas mesquinhas querem torcer o fígado e anestesiar a ignorância, as pessoas leem como quem está de cama, a história dele não chama a atenção - mas todo mundo o ama.
O Lord quem é este isto cisco no meu olho?
Lhama mascando minha parte boa assim leviana?
Brayan Carvalho
O Lord quem é este isto cisco no meu olho?
Lhama mascando minha parte boa assim leviana?
Brayan Carvalho
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Pernilongo
Nas quinas escuras dos bairros estão amarelas e trêmulas memórias escondidas dos homens das praças e esquinas, debruçados nos muros ou sentados nos bancos de cimento duro como os rostos dos homens fazendo cimento para vestir os muros das paredes do bairro, e prender lembranças, e esconder os carros, as antigas árvores, os prédios tombados por memória, eternos de glória tombada ao chão.
História: consoante muda, miúda e bem enfeitada por cortes de veludo europeu desarrumado por penilongos de mangues pútridos, esses nascedouros, dos vindouros futuros de esquinas de homens parados com caras fechadas por cimento duro, concretos e obscuros, no claro das paredes dos prédios caros, erguidos e solitários, vidrados em cimento duro do rosto dos homensdeumsódestinolargado.
Marcham metrificados em procissão de revolta, humanidade que volta sem ser menos roedor de extremos de si para ser menos roedor, e, depois, acalmam, dormem, abrandam, afanam heroicos um perdão contratado por um pouco de barulho.
A justiça é cega pelos dedos dos homens de pouca cegueira de ser o resto. As memórias sussurram nos cantos obscuros dos jornais de domingo do ano passado, nas represas de reprises, escondidas con cantos obscuros do nascedouro de (indi)gentes apoiados pelos muros bêbados, de pedra pura, sem arremate metódico de memórias deles.
História: consoante muda, miúda e bem enfeitada por cortes de veludo europeu desarrumado por penilongos de mangues pútridos, esses nascedouros, dos vindouros futuros de esquinas de homens parados com caras fechadas por cimento duro, concretos e obscuros, no claro das paredes dos prédios caros, erguidos e solitários, vidrados em cimento duro do rosto dos homensdeumsódestinolargado.
Marcham metrificados em procissão de revolta, humanidade que volta sem ser menos roedor de extremos de si para ser menos roedor, e, depois, acalmam, dormem, abrandam, afanam heroicos um perdão contratado por um pouco de barulho.
A justiça é cega pelos dedos dos homens de pouca cegueira de ser o resto. As memórias sussurram nos cantos obscuros dos jornais de domingo do ano passado, nas represas de reprises, escondidas con cantos obscuros do nascedouro de (indi)gentes apoiados pelos muros bêbados, de pedra pura, sem arremate metódico de memórias deles.
Eduardo Martins
Telha do(i)s
Se ela ainda andasse nua pelos telhados das minhas casas construídas, cenográficas, perdidas, pornográficas, caladas nas ruas dormentes de sempre ser ruas, carregadas de gentes correndo em horas mortas, revivas, repostas em um mesmo lugar das ruas, das casas nuas em meus telhados de horas mortas, revivas e postas nela nua, resposta reposta para as fatias de horas mortas que chamamos de dias.
S(´)e(ria) a verdade das coisas de hoje, dependuradas nela, sempre razoáveis e vazias à luz de um dia velado por dias passados, repetidos e gratos de ser novo dia, de útero esquife perdido na terra da guerra ganha dos tempos sem ela, janela dos tempos: meus olhos nos dela.
Partiu um dia, o dia inteiro, em pedaços idos, findos, perdidos em passos de pés amputados que levam urna sagrada da vida sangrada dos dias dela. Sem ela há dias senis e mudos, encostados em canto de paredes de casas que nos telhados têm ela nua, rua dos dias de outros dias mais heroicos de passos dela nua nas ruas dos dias em telhados de casas perdidas.
Corajosa, bailarina pisante de arranhacéus: pernas viventes de mundo defunto de plano de vida perdida na ferida de dia partido em alarido breve dos leves suspiros de outros dias sem ela.
É certo que: cada passo balaço de chuva na tela de telhas dantescas do alto do mundo
Seria você: Um sopro de livros, assassino vencido, suspirando e empurrando os tijolos dos muros
E: certa de ser você nas mãos abraçadas nas minhas mãos frias
Correria: vadia canoagem de pele plumagem de ave perdida
Até o telhado: Tablado do dia
Eduardo Martins
S(´)e(ria) a verdade das coisas de hoje, dependuradas nela, sempre razoáveis e vazias à luz de um dia velado por dias passados, repetidos e gratos de ser novo dia, de útero esquife perdido na terra da guerra ganha dos tempos sem ela, janela dos tempos: meus olhos nos dela.
Partiu um dia, o dia inteiro, em pedaços idos, findos, perdidos em passos de pés amputados que levam urna sagrada da vida sangrada dos dias dela. Sem ela há dias senis e mudos, encostados em canto de paredes de casas que nos telhados têm ela nua, rua dos dias de outros dias mais heroicos de passos dela nua nas ruas dos dias em telhados de casas perdidas.
Corajosa, bailarina pisante de arranhacéus: pernas viventes de mundo defunto de plano de vida perdida na ferida de dia partido em alarido breve dos leves suspiros de outros dias sem ela.
É certo que: cada passo balaço de chuva na tela de telhas dantescas do alto do mundo
Seria você: Um sopro de livros, assassino vencido, suspirando e empurrando os tijolos dos muros
E: certa de ser você nas mãos abraçadas nas minhas mãos frias
Correria: vadia canoagem de pele plumagem de ave perdida
Até o telhado: Tablado do dia
Eduardo Martins
Assinar:
Postagens (Atom)