Ao flanco esquerdo dedicaria uma flechada franca! É um presente sincero e mortal, mas é essencialmente um presente, flecha prometida, corrida, de apoio em meus próprios dedos fechados em ferida planejada para mim: solitário destino que eu já vi, agora em cena: encena, acena um sibilo de vento parado na ponta da flecha de cauda de pássaro que em madeira se aninha e se fecha!
Pesa concluir num dia: um dia ainda não concluo nada ainda sabendo que ele é todo um dia voando em entrada de conclusão. Um dia confundo-me em mim mesmo e perco-me do dia. Hoje, que concluí demais, perdi e ganhei muito com ar de homem sábio atrás de barbas de Barrabás das dúvidas, sem dívidas previstas, sem cristo executado! Um dia correu pelas ruas todas e perdeu-se em todas as minhas ruas, mas me encontrou e me disse quem era eu!
Quando concluo, como dizia, sei coisas que dizia sempre e por pouco desacreditei, mas penso que, se não acreditei, errei, e concluo tudo o que dizia! Concluir de verdade só presta para ser o que é quando puxa uma lágrima escondida que pinga aos poucos apenas para as conclusões, mas nunca se esgota (salgada e poliglota) pois são poucas as verdadeiras conclusões! Saber o fim é uma dor rompante em face arredia, antes redimia, hoje oprime o que esvazia o fato: o fim, se sabe, é sempre o mesmo ato que se dá sem fim!
Eu não sei mais nada se te vejo chorar: na tua face cai em gritos miúdos uma solidão que era só minha! Agora, uma flecha sozinha encerra-me o flanco no agora sem destino: destino, no mundo, só mata em ponta de lança em bonança de fé, fora do mundo não mata alguém (matar ninguém é sempre promessa explicada de falso assassino!)
Não consigo controlar uma comoção de me ver brotar nos seus olhos, um disparate sincero que não combina comigo, mas que sou eu! Quando soube que eu era eu, percebi que ser eu era ser apenas não outro que não fosse eu: obrigações que podam as asas das conclusões levem e pesam-lhe sinceridades: afunda-se tudo no fim de mim mesmo: transborda-me o flanco: concluir me deixa sempre muito sozinho comigo!
Eduardo Martins
sábado, 8 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Declaração!
Sério, seria melhor ser: ia, se ria e, se Rio não fosse água corrente formando estado decadente, seria tudo mais sério!
Se pudesse alongava o tempo de conversa no aterro de perto de casa em pincelada leve, nas tuas mãos alongada, puxando a brisa leve da breviedade daquele tempo sobrevivemente aos minutos calados, chorando desesperado os tempos enterrados depois do mar que banhava a terra de restelo, agora resto sem morte e sem zelo, enterrados nos lábios do tempo do aterro!
Não sei mais te olhar sem ternura duvidosa de poesia: se fosse você, um dia, fazia você retrato do dia de antes dos dias passados:início assim, recém nascido iniciado em si!
Se fosse noite traidora das decisões derradeiras, abriria as asas da noite inteira e deixaria ser você a noite, cheia de dia em açoites sem agonia da tua pele branca, amanhecida em branca pele de dia!
Eu juro, de verdade, que a verdade é apenas vaidade das penas desta noite de sempre! Às três da manhã, atormenta-me não de tudo e sim de pouco, aos poucos, lembro que não ser você faz da noite morrer em dia! Morro um pouco e de dia amanheço no seu colo vendo ser, quando acordo, que seu colo é sonho de noite em açoite no sólido dia!
Quando você para de ser o dia, o dia não suporto, não me importa mais este tempo de sibilo mudo de enguia: guia-me o mundo este mundo sem guias!
Eduardo Martins
Se pudesse alongava o tempo de conversa no aterro de perto de casa em pincelada leve, nas tuas mãos alongada, puxando a brisa leve da breviedade daquele tempo sobrevivemente aos minutos calados, chorando desesperado os tempos enterrados depois do mar que banhava a terra de restelo, agora resto sem morte e sem zelo, enterrados nos lábios do tempo do aterro!
Não sei mais te olhar sem ternura duvidosa de poesia: se fosse você, um dia, fazia você retrato do dia de antes dos dias passados:início assim, recém nascido iniciado em si!
Se fosse noite traidora das decisões derradeiras, abriria as asas da noite inteira e deixaria ser você a noite, cheia de dia em açoites sem agonia da tua pele branca, amanhecida em branca pele de dia!
Eu juro, de verdade, que a verdade é apenas vaidade das penas desta noite de sempre! Às três da manhã, atormenta-me não de tudo e sim de pouco, aos poucos, lembro que não ser você faz da noite morrer em dia! Morro um pouco e de dia amanheço no seu colo vendo ser, quando acordo, que seu colo é sonho de noite em açoite no sólido dia!
Quando você para de ser o dia, o dia não suporto, não me importa mais este tempo de sibilo mudo de enguia: guia-me o mundo este mundo sem guias!
Eduardo Martins
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Cortes
Metade de mim em mim mesmo ainda nega ser metade a outra parte inteira que a primeira vê sobra derradeira da etílica paródia que é metade ser todo sem ser ela toda a vulgar idéia moderna de que algo assim é todo anti-idiossincrático, caótico presságio lógico das lógicas comuns!
Alguns, muito completos, viram objetos descansando em mesas de dia a dia, sem idéias vadias do que é ser realmente, vida demente e receptiva a tudo que não encoste, que não machuque, que não morda e não arraste a pele desnuda para outro embate com o espelho, com o frio derradeiro que de por vir vem sempre antes, em passo médio, remédio distante de toda a discrepância de adultério sorrindo e despindo passado desenhando futuro!
Metade de mim, que é sobra revoltosa, amarra-se em grossa corda umbilical e inegável com a esquerda deplorável e ditadora, percursora de outras lógicas de virar lágrima em apêndice inflamado da não aridez dos seres humanos sem verdades sólidas de ternos bem cortados desfilando naufrágios em gôndolas italianas, em palavras soberanas do vácuo vaticano de toda cristandade de legítimas verdades ilegítimas, presas e datilografadas em gaiola elaborada pela necessidade das crianças sem deus visitando seus medos em repleto desasssossego de serem menos que deus!
Metade ainda, mata-se deploravelmente, por razão ou por vontade de ser gente acima de ser metade e eu, em pobre e burra puberdade de ser, olho este não ser atônito das grandes guerras de dois soldados iguais, de tal forma idênticos, que comem o mesmo pão purulento que o soldo paga soldado em adaga presa na pele de inteiro: Metade é fim derradeiro de outra metade neste golpe fim de siamesessempre, estes gêmeos indecentes da burra gênese humana! Melhor quebrar-se até esquartejar toda metade e impedir a guerra de gente pouca vingativa por ser inteiriça dentro de costela de gente, para sentir o gosto na saliva de ser mais do que metade: uma cria de compassos comparecendo em si mesma sem ser a burrice que esgueira em coletivo!
Metade de mim é ser vencido: eu, em perigo, mato a outra metade!
Eduardo Martins
Alguns, muito completos, viram objetos descansando em mesas de dia a dia, sem idéias vadias do que é ser realmente, vida demente e receptiva a tudo que não encoste, que não machuque, que não morda e não arraste a pele desnuda para outro embate com o espelho, com o frio derradeiro que de por vir vem sempre antes, em passo médio, remédio distante de toda a discrepância de adultério sorrindo e despindo passado desenhando futuro!
Metade de mim, que é sobra revoltosa, amarra-se em grossa corda umbilical e inegável com a esquerda deplorável e ditadora, percursora de outras lógicas de virar lágrima em apêndice inflamado da não aridez dos seres humanos sem verdades sólidas de ternos bem cortados desfilando naufrágios em gôndolas italianas, em palavras soberanas do vácuo vaticano de toda cristandade de legítimas verdades ilegítimas, presas e datilografadas em gaiola elaborada pela necessidade das crianças sem deus visitando seus medos em repleto desasssossego de serem menos que deus!
Metade ainda, mata-se deploravelmente, por razão ou por vontade de ser gente acima de ser metade e eu, em pobre e burra puberdade de ser, olho este não ser atônito das grandes guerras de dois soldados iguais, de tal forma idênticos, que comem o mesmo pão purulento que o soldo paga soldado em adaga presa na pele de inteiro: Metade é fim derradeiro de outra metade neste golpe fim de siamesessempre, estes gêmeos indecentes da burra gênese humana! Melhor quebrar-se até esquartejar toda metade e impedir a guerra de gente pouca vingativa por ser inteiriça dentro de costela de gente, para sentir o gosto na saliva de ser mais do que metade: uma cria de compassos comparecendo em si mesma sem ser a burrice que esgueira em coletivo!
Metade de mim é ser vencido: eu, em perigo, mato a outra metade!
Eduardo Martins
domingo, 2 de agosto de 2009
- calabocagora -
você já (ven)deu o que tinha que (ven)dar, meu caro importado com as questões políticasafadas atuais, és pingos nos is, acentos nos óis ou palavrão pequeno? príncipe! é a queda mortal da literadura como pedra na janela, nela própria, já, responda ao comando e como ando andando ultimamente afinal? pergunta o generalimentado dos cadáveres colecionados: borboleta ou cachorrinho? se morre Julieta Romeu fica sozinho? pobre rima, rimartelando a mesma fábula de remédio cedido gratuitamentecapto através da lógica pervertida do mundo afora às forras com todo mundo do mundo
é a hora
pessoas reclamam camões abertas pro céu sem paz sobre a terra, pra debaixo dela, pra debaixo dela, quer um bunker? mulheres e crianças em fila falam do fim do mundo o olhar profundo pro fundo do pano profano que cobre o corpo falecido - vivo teria sido um guia, disso todo mundo sabia, está capitulado e existe para estar do nosso lado nos momentos difíceis, vocês sabem
a hora?
contando carneiros antes de dormir se alcança a realidade virtuosa (virtual com saborosa) da paz d'espírito tão panfletada por aí, porra, aí, não há mais assunto nem assento a ser tratado tarde essa hora hoje, precisam todos dormir descansar pra cansar novamente no dia seguinte: siga, indigente, siga indigente pra casa caçando sarna-sarney pra se ridicularizar perante um monte, perante Maomé e a corja-discórdia diz: corja, corja, corda, acorda!
ora!
será tardemais? será cera em demasia nos ouvidos da gente-gentalha todo dia? que morra, canalha! e não cubram resto algum com mortalha:
fora!
Brayan Carvalho
é a hora
pessoas reclamam camões abertas pro céu sem paz sobre a terra, pra debaixo dela, pra debaixo dela, quer um bunker? mulheres e crianças em fila falam do fim do mundo o olhar profundo pro fundo do pano profano que cobre o corpo falecido - vivo teria sido um guia, disso todo mundo sabia, está capitulado e existe para estar do nosso lado nos momentos difíceis, vocês sabem
a hora?
contando carneiros antes de dormir se alcança a realidade virtuosa (virtual com saborosa) da paz d'espírito tão panfletada por aí, porra, aí, não há mais assunto nem assento a ser tratado tarde essa hora hoje, precisam todos dormir descansar pra cansar novamente no dia seguinte: siga, indigente, siga indigente pra casa caçando sarna-sarney pra se ridicularizar perante um monte, perante Maomé e a corja-discórdia diz: corja, corja, corda, acorda!
ora!
será tardemais? será cera em demasia nos ouvidos da gente-gentalha todo dia? que morra, canalha! e não cubram resto algum com mortalha:
fora!
Brayan Carvalho
sábado, 1 de agosto de 2009
Da Morte
- Foi uma festa! Você nem imagina, ah mas não imagina mesmo! Pra começar, foi tudo de surpresa: daí você já tira as conclusões. É que ninguém esperava, sabe? Tava todo mundo sossegado cada um no seu canto, fulano na casa da noiva, beltrana corrigindo as provas dos alunos, sicrana fazendo sabe lá Deus o quê (uma desvairada, essa menina) e de repente, um de repente ao quadrado, ao cubo!, e de repente já era. Foi. Nem chamou nem gemeu nem gritou, só... foi. Capaz de não ter nem doído, sei lá. Sei é que num clique tava todo mundo em casa, até gente que não sabia inicialmente do evento, everybody meeesmo! Pessoas entrando e saindo dos quartos, casais, trios, um fuzuê só! Depois teve a água, a limonada, abriram um vinho seco e chamaram mais gente pelo telefone. Não demorou já tinha um bêbado tomando banho nu amparado pela namorada, pra ver se melhorava. Isso tudo porque passava de uma da manhã, agora veja! Aí parou carro na porta da casa, desceu criança, levaram embrulho, povinho bem vestido, Zona Sul do Rio, gente chique, com dinheiro. Por um momento parecia que ia rolar até briga, mas souberam se aguentar. Uma coisa feia, discutindo sem nem saber das coisas... sempre mulher e dinheiro... enfim, você perdeu mesmo, foi marcantérrimo! Vai demorar um tanto pra esquecer, viu? Só quem esteve lá sabe como foi! Vai deixar saudades, ai!
Brayan Carvalho
Brayan Carvalho
Parte 0: Parte 1
Cinza o céu, uma borboleta. Dentro da janela o silêncio. Café pronto esfriando na pia da cozinha, frio o mármore, rádio velho ligado chiando no canto oposto uma canção inocente e gaita e a voz bonita crescendo. Sofá da sala ocupado: dormiu lá. Três galos cantam, um depois do outro: um e mais um e um mais. Um grilo, um passarinho, cães, a tosse do bebê, a música que mudou - de repente sinfonia. Em fá, não fajuta, em fá, a quarta das notas, em fá, um arranjo jazzístico.
Primeiro pé no chão frio, dedos envoltos na meia meio velha. Joelho estaal dobrando, estrela no céu lá fora repiscando cada vez mais fraca. Longe o sol surgindonde? O dia começa violinizadamente que o rádio velho chia chia chia... tem nada acontecendo não, pula a hora agora minha senhora, simbora!
Brayan Carvalho
Primeiro pé no chão frio, dedos envoltos na meia meio velha. Joelho estaal dobrando, estrela no céu lá fora repiscando cada vez mais fraca. Longe o sol surgindonde? O dia começa violinizadamente que o rádio velho chia chia chia... tem nada acontecendo não, pula a hora agora minha senhora, simbora!
Brayan Carvalho
Parágrafo
Nas ondas dos cabelos negros passam todos os navios desespero carregados em fim de noite frustrado em ser início de outro dia! O vento, em agonia, desfaz-se da marola em outros restelos de ventos, para proteger do firmamento o breu dos cabelos tomados de velo de próprios pensamentos sequestrados: firmamentos orados pelos próprios pensamentos fazem com que sejam eles mesmos as colunas mais fortes que o cimento das cidades do mundo, para sustentar o grito profundo agitado nas águas rasas sobre os ossos assobradados de cabelos negros noites em açoites claros de dias!
Eduardo Martins
Eduardo Martins
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