quarta-feira, 8 de julho de 2009

(De)fin(ir/ito)...

É como eu subo mais rápido à tona dos olhos, meus olhos e de todos os que mergulham nos meus olhos, e vejo debruçado nas pálpebras vazias que lá fora tem fim um precipício em meus pés, acima do chão maior que meus passos e os passos dos outros, estalados e orgânicos, misteriosamente iguais como crianças que não correm para os braços das mães.

Andei vendo que ancoro, em coro de sereias vazias, nos meus olhos, para não escorrer em lágrimas salgadas, sem medo de tubarões, fugidios amantes do branco das folhas perdidas no branco dos olhos, que cato sozinho e enxugo o corpo ainda nu da tona do mundo.

Escorro todo, pelas pontas dos olhos, lisos e nus, e vejo vazio que jorro vazio eu!

Definir: é isso: pílula de cinco minutos em linhas: pautas sozinhas: caladas perto das outras: frias: palavras sozinhas, mas: adverso semântico: de sempre ter sentido quente: o que escorre: corre de si: onomatopéia de eu: correndo por meus olhos:eu:


Eduardo Martins

terça-feira, 7 de julho de 2009

Saudades...

Um delírio estranho, você ontem, você, ontem, febril nos meus braços tímidos de não serem você também para serem únicos, corpo do seu corpo, sutis e invasivos, corrosivos de mim para que fosse, eu, diluído em você!

Eu, apenas, não sou nada eu apenas, de alma virada em sua alma, derramada em sua pele, arrepiando pela quentura macia, que eu derramado e perdido, escorrendo vencido, semi- morto-sempre-glorioso, simiesco semi-eu que eu sou sem seu vulto perdido em vestidos azuis de noite de antes de sempre ser noite azul as noites de ontem (mas sempre é tão passadoprevisto, certeza consumada com visto de adivinhação hipócrita da ciência)

Já vi o mundo, sem você, empalidecer em desmaio profundo de cair em mim pensando cair no mundo. Sorri perigoso, confirmado em crueldade azul dos seus vestidos forrando os céus da noite em um frio de minha alma derramada sob minha pele sem você!

Eu arrebentação de um mundo inteiro, muralha baixa, submersa, de ares reacionários, mas muito quieta e fatídica, arremate de orgulho estampado e pedregoso, mãos dadas com a inveja das pedras quanto aos navios mercantes de coisas sobre o mar mundo, mudo de outros mares de secura das coisas práticas.

Velejo ainda nas dobras descuidadas dos teus vestidos azuis que forram o céu e nunca me canso de ver tua pele nua com minha alma derramada, alma febril e fria, vadiando na tua pele almada de mim mesmo.

Não sei se pontuo o fim, sei que não posso nesse naufrágio, mas há pouco de crime em querer alongando-se para mais que os limites sem fim do sem fim sem limites,

Não, acabo sem previsões depois desta última certeza

Eduardo Martins

Cinemática (ir) regular

Há momentos em que não calo, eu que sempre calo sempre, uns comentários, muito sussurrados e casmurros, muito pouco ideológicos de vitórias certezas (em cavalgar pomposo das coisas velhas), mas ali, sem a elegância de calar-se, estão sem brados de revoltas salgadas de suor ou sussurros de loucos assassinos de outros assassinos de si.

São umas poucas palavras em sibilar profundamente fraco, puxando pelas mãos enluvadas outras palavras abissais e sentidas da luz, minha fala ao pé do meu ouvido.

Letargia da Palavra, primeira leitura, para matar de pontuar é este evangelho explicativo, que uso sempre desesperado para que ninguém me responda. E ninguém diz nada, oradores das altas horas olham para baixo, solenes e enojados pelas profundezas da razura das palavras combinadas, esquadrinhadas em parágrafos de esquadrões explicantes sem réplicas aceitas.

Se temo muito, olho no espelho, calado e verborrágico, lembro de ser pequeno e perguntar em agonia curiosa dos meninos medrosos o que há por dentro da gente, depois da pele, depois dos músculos e do esqueleto equilibrado. Será que dá para tirar a gente daqui de dentro com incisão cirúrgica genial? Chorava quando pensava que sim ou que não, mas agora não choro mais para não aguar a dúvida...

Não sei porque nunca perdi o equilíbrio e caí para fora de mim para ver como é estar fora de si, já que estou sempre fora dos outros, muito escafandrado para não invadir lugar que não se respira comum igual.

Letargia da palavra, segunda leitura, ninguém nunca duvidou da cinética morta da primeira (conclusões genéticas, com certeza) e jamais passei daqui...


Eduardo Martins

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Tempo está de...

Hoje percebi-me pouco matutino, amanheço parado, amanheço quando tudo já muito acordado fumega sol quente de tarde pré-vinda. Amanheço e manhã não é mais nada, acordada há tempo, entardece cedo e deixa de ser de si o ser nascida.

Mas, adverso de tudo, recortado por vírgulas de primeiros pensamentos, germino uma lembrança adulterada de madrugada estática por já ser o mundo inteiro e não precisar tomar mais nada em marcha definida repetida de outras marchas dos antigos generais escanhoados, aduncos, corretos, pais das fardas novas dos novos metódicos velhos.

Certezas são cetas de íngremes partituras de certezas, sobretudo definidas e sempre sobretudo!

Hoje percebi que as chuvas contém as madrugadas em fúria naciturna, de ventre frio de vento que nao traz, mas leva, mercador e profano das impurezas. Certo! São febres terçãs de pontos finais, duvidosos jogadores, que não respeitam estar no mesmo vento pai dos dias falecido deixando escorrer pelos braços esqueléticos a memória e as filhas em poucas lágrimas doces que mal caem, se repetem.

Tempo está de ser emplasto de ser eu por dias sem pai, reverentes de memória esquelética e arenosa dos embalsamados!

Eduardo Martins