sexta-feira, 31 de julho de 2009

Voo quase eu...

Não se pode saber sentimento solto em voo revolto de asa consumada sem ar em escada dos dedos da gente, olhando penitente o risco do vento rasgando o céu: véu do mundo defunto! Ainda me caso com você, mundo dos outros, para ser pros outros um pouco mais de você!

Os dedos se abrem numa liberdade destraída de pedra caindo fatídica em asa de terra parada e, no alto do céu segue o véu das estradas do mundo onde asa é, no fundo, o fundo avesso do não ser asa, o raso rasgo de espada que corta o céu! Abissal sou eu que não vejo teus cabelos amanhecendo céu vermelho em bruma incoerente, fazendo minha alma alada de serpente umidecer-se de não ir e ficando em si: fria pedra de górgona espiã, gárgula vã de garganta parada vendo seu nome vazar por dentro de mim e encher-se de mim inteiro!

Quando você é mais minha, transbordo de você, e sem não vejo mais ser eu por entre meus dedos, debatendo as asas de palavra para sair e dizer querer em toda conjugação possível, em conjunção incrível do distante não ter! Então, o não me toma de assalto e, de mãos postas ao alto, resolvo não correr mais de minhas mãos!

Eduardo Martins

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Confissão!

Não é fácil saber tão rápido a solidez rude e falsa das valsas dos amores antigos de brios e respeitos guardados no peito da gente certa, cheia de cautelas, que têm a carne como sela de si!Se lá na sela não há mais nada que não você, para que trancar-se ?

Coisa de perdão de Deus para Deus: sonhos de flagelos eternos na carne dos homens, coberta pela assexualidade de padres podres de serem gente fingindo gente ser podridão dos padres, dos senhores engravatados carregando bíblias, das brigas vencidas com o diabo inexistente dormindo dormente nas entranhas estranhas das manhas de crianças chorosas, de pessoas idosas que já depuseram Deus que partiu dormindo e seguiu seguindo a crença dos filhos seus, os fariseus da realidade que resmungam boa vontade e secam lágrimas nas barbas esquálidas de Deus!

Não admito não ter fúria de florete antigo e obsoleto em mão de Montecchio traidor quando acho que amor é uma paixão revista, disposta e imprevista de continuar a sangrar-se em dor por um longo tempo, até erguer-se como frumento para a boca dos senhores de si, que, se agora ris, nunca os viu brilhando sozinhos em loucura alevina dos deuses de beira de altar velho, coberto de poeira , falando besteiras com ares gentis de mulheres compradas por fé nas escadas do mundo de triz último a arrebentar-se pelo dente firme, mordendo sublime feito mármore o fim de sepultura em santa figura de fio de velo sagrado dependurado no céu frio!

Se hoje então, pêra e bigode na fronte, corajoso soldado de fronte, em bandeira firme e metálica mato o almado sangue destes fins de fatos internos em gritos eternos nos palcos do bardo barbudo de tempo desnudo em pena de tinta desalmada: discurso de curso de alma interna na voz fraterna da taberna de outra alma! A carne, Bocage, a carne, tu cantas melhor que eu nestas palavras de garganta portuguesa, com a vencida certeza da pureza dos amados filhos do satírico Zeus!

Confesso, ter uma paixão nova e piegas, dos cancioneiros bregas em bordas de portas, em sacadas de casa de outra família não inimiga, mas confesso por amor a verdade dos palcos, que as vezes descarto, para não mofar-se em mim! Estas brigas de mim mesmo têm mais governança de sonho frívolo que bardo esquivo em letras claras e truncadas no inglês das madrugadas dramatúrgicas dos teus pontifícios: república dos patrícios do tempo mundo inteiro!

Para mim tudo é janeiro amanhecido nos olhos dela de novo mundo e, penso estar, certo, não tenho nada mais que o acesso a minhas esperanças patéticas de umas trovas poéticas dos meus escritores defuntos, companheiros aduncos das dobras leves das vogais: grito cais do mundo: soante profundo:consoante de mim: enfim, o fim:

Amanhã escorrem por mim os vinhos doces de promessa em manhã depois da noite de verão de Goodfeallow existente em correria atrás da Hécate corredora e tríplice que nega ser pontíficie destas coisas que os homens criam para negar que, se vadiam, o fazem por alma e não pela bizarra calma dos demônios aflitos em tumbas descritos descansando as mãos em poços fundos: o mundo do bardo é sempre o mundo!

Eduardo Martins

Primeiras expressões...

Escadarias: queda de pedras dia abaixo, abaixo dos meus pés sujos de pedra de estar-se parado muito em si como pedra mirante olhando o horizonte fonte de tudo o que olha parado e nu sobre o céu das intempéries temperos do mundo, sob o céu eterno de mar solar... Florece no teu ombro coisa mais doce que pedra bruta e initerrupta de solicitude dos autos repitidos sob os palcos do teatro...

Não minto as vistas dilatadas fingindo de calmas, subindo as escadas de mim para mergulhar-me profundo passarinhando o mundo dos seus olhos rindo na outra lateral da mesa! Esquerdo à minha poesia nasce sempre um dia em que frente aos outros eu olho tenso com olhar de homem lento sob as óperas da vida, mais corretas e efusivas que as eternas vogais de vozes presas nas óperas de duvidosas belezas das salas de óperas.

Pensei não pensar mais, mas foi impossível, embate-me uma certa sensibilidade insensível rolando louca boca afora em palaavra solta que apavora a palavra presa aos papéis perdidos pelo chão da casa, meu restelo sem asa frente ao mar do mundo! Há na superfície algo mais profundo que o lodo abissal, tingindo o mundo de sagrado sal dos fins de dia á beira de bilheteria do próximo dia!

Pintaria de vermelho alicerce as rosas sofridas em ferimentos de mundo para ver que seus cabelos são sangue de rosas perdidas no mundo de mangue erguido de vida para o fim da vida toda! Toda sempre é gravata de pretérito decomposto! Desposo teus cabelos em vermelho derradeiro esculpido em vento deitado em velas de mares inteiros, em veleiros de fogo destinados aos olhos das antigas igrejas e ventres de casas escuras sem ter a pele branca acesa dos dias das bilheterias do mundo!

Bebendo de um gole só o memomento: as coisas parecem mais justificáveis em brotar teimoso de esperança quase infantil esverdeada! Penso em você da sacada de mim mesmo: atiro-me a esmo para dentro dos seus olhos!

Eduardo Martins

domingo, 26 de julho de 2009

Queda de arlequim!

Dos telhados, um gosto arlequinal pela poesia do choro dos outros nublados, no céu, no mar evaporado inteiro, sobre os cabelos seus acariando meu peito cheio de mar arlequinal trapeziado no céu de agosto com gosto de céu de anil deposto pelo gosto amargo do Rio afogado em tempestade de mar aberto, certo de ser mar amar apenas as ondas pequenas sussurrando nos seus cabelos, transformando meu peito inteiro em mar extremo, mar de remo de tubarões perdidos, tritões vencidos pelo mar dos seus cabelos chovendo tempestades, de incertas verdades que são vagas, nas vagas sem pragas do mar!

Amei-te duas gotas chovendo dos meus olhos de arlequim e chorei a mim mesmo!

Eduardo Martins

Vermelho: a cor upta. Um desfalecimento improvável, um cisne que não canta por agora não, o córrego vivo serpenteado cristalindamente glub-glubeando cenário abaixo. Girassóis sozinhos sob a nuvem cinza, redondamente enganados na vida. A cor escorre correndo pelas cortinas, corta inesperada o coração do cervo. A maçã do peito pra fora do peito pula, serpente está longe, a arte matou o inocente. Anti arte ária éria marte artéria anti-artéria.

Um susto interrompe. Revoada súbita, flap-flap-flapeações muitas preenchendo cavernas e copas de árvores. O sono está morto, o cervo está morto, o rastro é silêncio.

O jardim esconde a rosa sob seu nome próprio. Medo dos julga-mentes e das sen tensas. Manchado o nome de vermelho a noite se pinta cancela o luto refulge septânicamenteadora sobre as cenas. Vermelho aceso na noite, sangue feito foto de relâmpago, procissão mudanônima que não sai de casa. Tic-tac lento, tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiic-taaaaaaaaaaaaaaaaaac leeeeeeeeeeeeeeeeento, o relógio é mentira e não há tic-tac.

Morrem as linhas inúteis mundanescas com flores traídas, rio que afoga almas serenas, lotta lotta love e cai a estrela pesada sequer boiando. A cor upta ao redor dos olhos, em toda a língua, dentro das unhas. Girassóis parados, murchos, vítimas próximas das criaturas inomináveis.

Dia sem horas, cem horas depois, não há fim não há início.


Brayan Carvalho

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Al(mar)

Antes que água salgado dos teus poros inunde as minhas costelas, minhas mãos e pernas, minha alma por fim, afogando-se louca e sorrindo, no mar de absinto da sua alma, talvez, um eu incerto grite por ajuda como pássaro independente em céu pendente ao mar você!

Homem, almar! Ordeno, mas o mar mudo e obsceno ri-se sarcástico de ser eu naufrágio em seu corpo quente e frágil: colosso vítreo de fim de mundo razoável sem fim! Sei mais de mim quando te mapeio firmamento perdido em meus olhos mareados de mim escorrendo em lágrima com o direito salgado de ser navegada, descendo em meu rosto sem leme ou proa que navegue em boa água de tormenta morta, imitando queda de tempestade proposta pela queda suposta por entre o ar salobre, em palavra: obscuro arremate de cobre puro impedindo os momentos correrem em ventos sorrateiros, estreitos, serpentes de mim.

Escreveria você inteira sobre sua pele para saber como se fere a alma içada em madrugada vadia: poesia amada e almada de tempo.

Homem, almar: no mar só sobra o mar e eu!

Eduardo Martins

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ad(mito)...

Não se corre assim entre todas as tuas negativas de olhos baixos com a mesma liberdade de pássaro fugido há pouco, de si, de cárcere, de ombro de mártir em cruz sobreposto onde pássaro pousado é guerreiro prostrado em corpo emplumado na cruz sobreposto por outros desejos de deuses em relevos de pássaros mortos.

A verdade é que querer amarra as asas em asas quebradas de gente de olhos baixos, cheios de negativas em certezas ungidas sobre corpos de pássaros mortos, destruídos e ilógicos em fim de lógico de voo, final de apoio justificado aos ares exaltados dos certos de tudo, dos corretos, dos modos enxutos de sangue de pássaro com osso de vento correndo humano o céu nevoento de certas negativas, emplumadas e feridas.

:A verdade é: em seus olhos mais clara: é a verdade: é:

Não se corre assim sobre corpos de sereias mortas, não mudas, estiradas em restelo de janeiros repetidos, de finais oprimidos em haver final apenas neste canto de sereias invejando suas pernas em indescente adultério do existir etéreo apodrecendo nas praias, em bicos de garças e gralhas no finado restelo de todos os janeiros, assombrado e mudo pelo existir profundo de estar-se sempre.

Eduardo Martins